O ensino a distância é um recurso que deveria estar sendo altamente utilizado durante a pandemia declarada pela Organização Mundial de Saúde – OMS, ocasionada pelo coronavírus.
Entretanto, o EAD no Brasil está longe de ser a solução e o elemento que minimiza os danos a interrupção do ensino presencial durante o período de necessidade de isolamento social.
Veremos a seguir que poucas entre as universidades federais adotam EAD na pandemia e as razões dessa situação.
Os números da adesão do EAD pelas universidades públicas brasileiras
Foram poucas universidades federais adotam EAD na pandemia, o que se torna lamentável, pois essa metodologia foi autorizada em 18 de março de 2020 pelo Ministério da Educação, com vistas a minimizar os prejuízos causados pela impossibilidade de frequência dos estudantes ao ensino presencial.
Com dois meses de autorização para o ensino on-line, apenas 6 das 69 universidades federais adotam EAD na pandemia.
Existe um total de 1,1 milhão de alunos em todas as universidades públicas brasileiras, e estão sendo atendidos com ensino a distância apenas 97,5 mil estudantes, correspondendo a 8,7% do total de alunos matriculados nessas instituições de ensino superior.
Já no ensino privado, 22% das faculdades não adotaram o ensino on-line na paralisação por conta do coronavírus.
O ensino a distância foi considerado uma forma de não impactar nos estudos dos alunos, porém esse modelo não irá contribuir para atender a esse objetivo, levando em consideração os atuais dados.
Os principais problemas
O principal problema observado quanto ao não funcionamento da iniciativa está relacionado a limitações de acessos de estudantes às tecnologias ou mesmo à disponibilização de disponibilidade de conexão com a internet de qualidade e que possa favorecer o acesso às aulas on-line.
Além disso, a falta de organização para disponibilizar o ensino a distância de parte das universidades é outro aspecto que impacta na consolidação dessa metodologia e causa reflexo imediato para viabilizar a transmissão das aulas.
Outro ponto importante é a ausência de treinamentos e preparação dos professores para usar a tecnologia de ensino on-line e o ajuste do material didático a essa tecnologia de aprendizado.
Conforme pesquisas realizadas em 2018, pela Andifes e apresentada por meio da V Pesquisa Nacional de Perfil Socioeconômico e Cultural dos(as) Graduandos(as) das IFES, mais da metade dos alunos possui baixa renda, com rendimentos familiares de até 1 salário mínimo per capita.
Conforme posicionamento das universidades, existe ainda uma limitação de acesso ao ensino a distância por estudantes com necessidades especiais, por não ser possível adaptar as transmissões a cada necessidade de acompanhamento, o que exigiria investimentos não previstos para atender a esse momento.